Compartilhar cama: certo ou errado?

Mães com Estilo - Mãe Gourmet - Estúdio Folha

Especialistas se dividem sobre riscos para a segurança do bebê; criança deve aprender a adormecer sozinha

Dividir a cama com o bebê pode facilitar a vida das mães que amamentam. A expressão 'cama compartilhada'consiste em colocar o bebê para dormir pertinho da mãe, não necessariamente no mesmo leito. Ele pode ficar ao lado da mãe, em um bercinho ou moisés.

"A cama compartilhada ajuda bastante na amamentação. Sair da cama e ir para outro quarto amamentar pode acabar com o aleitamento. É muito cansativo", afirma o pediatra Carlos Eduardo Corrêa.

Sociedades de pediatria de vários países, incluindo a do Brasil, condenam a adoção dessa prática. "Dormir na mesma cama que a mãe não é recomendado em hipótese alguma, pois acarreta risco de morte súbita", diz Simone Chaves Fagondes, presidente do Departamento Científico de Medicina do Sono da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria).

Defensores do método dizem que não está comprovada a associação entre morte súbita de bebês e cama compartilhada. "Os estudos ainda são controversos", afirma o pediatra Moisés Chencinski.

Especialistas afirmam que é possível dividir a cama com o bebê em segurança desde que algumas medidas sejam adotadas.

"O colchão precisa ser firme, não pode haver vãos entre o colchão e a cabeceira, e a cabeça do bebê precisa ficar descoberta", diz a psicóloga Bianca Balassiano, consultora em amamentação da Posso Amamentar.

O mais importante é alertar os pais que usam substâncias que alteram a consciência, como remédios e bebidas, que não podem dividir a cama com o bebê. O método também não deve ser adotado por pais fumantes.

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Mas a prática pode trazer outros benefícios, como acalmar o recém-nascido. "Bebês que ficam perto da mãe são mais calmos, dormem melhor, ficam mais tranquilos, choram menos", diz o pediatra José Martins Filho, presidente da Academia Brasileira de Pediatria.

Segundo Chencinski, o compartilhamento pode ser um fator de proteção para o bebê. "Há aumento do vínculo, proteção contra apneia do sono, um contato mais constante. Ele aprende a respirar."

Algumas famílias não se adaptam com a divisão do leito, pois temem que ela prejudique a intimidade do casal. "Não existe certo e errado. O importante é determinar o que é viável para cada família", afirma a "parent coach" Mariana Zanotto Alves.

A psicóloga Renata Soifer Kraiser, autora do livro "O Sono do Meu Bebê", vê desvantagens no compartilhamento. "Isso pode se tornar um problema no futuro. Adormecer sozinho, sem indução, é o primeiro movimento que aprendemos a fazer de forma independente. Quando isso não acontece, temos uma série de desdobramentos que podem se tornar complicados tanto para a criança como para a família."

Prepare-se para dormir pouco

Recém-nascidos podem dormir até 18 horas por dia. Mas é um sono com várias interrupções.

De acordo com Bianca Balessiano, consultora da Posso Amamentar, as famílias têm expectativas equivocadas sobre o sono do recém-nascido.

"Esperam um bebê que vai mamar em horário fixo e deixar a mãe com horário livre para descansar", explica Bianca.

"É preciso entender que é natural que o bebê acorde muito no começo e que em determinado momento isso vai passar", diz opediatra Carlos Eduardo Corrêa.

O pediatra Moisés Chencinski diz que as acordadas noturnas estão ligadas à necessidade de amamentação. "Ele não sabe a diferença entre noite e dia."

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