Tecnologia acelera as inovações em saúde

No terceiro episódio da série A Tecnologia no Próximo Nível, especialistas mostram como novos serviços digitais foram criados e as inovações que virão para beneficiar pacientes e profissionais de saúde

A pandemia de Covid-19 acelerou um processo que já vinha em andamento na saúde: a transformação digital. Com a necessidade de isolamento social e da coleta e troca mais rápida de informações, a tecnologia ganhou protagonismo para ampliar o acesso à telemedicina e à teleconsulta, além contribuir diretamente para a formação de banco de dados. E há outras novidades.

A Transformação da Saúde pela Tecnologia foi tema do terceiro episódio da série A Tecnologia no Próximo Nível, uma iniciativa da Embratel em parceria com o Estúdio Folha, que discute a inovação em diversas áreas.

Participaram da discussão Merched Cheheb de Oliveira, diretor do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Data- sus); Maria Teresa Azevedo Lima, diretora executiva para governo da Embratel; Marco Antonio Bego, diretor de inovação do InovaHC e diretor executivo do Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; e Ivisen Teixeira Lourenço, gerente de inovação aberta do InovaHC.

Alguns fatores contribuem para a inovação acelerada na saúde. O primeiro é o fato de a sociedade estar cada vez mais conectada. “Hoje, 99% da população brasileira estão em alguma área coberta pela telefonia móvel”, afirmou Maria Teresa.

Maria Teresa Azevedo Lima, diretora executiva para governo da Embratel
Maria Teresa Azevedo Lima, diretora executiva para governo da Embratel - Divulgação

"Reunir uma quantidade imensa de dados de mais de 200 milhões de brasileiros exige uma infraestrutura robusta, flexível, segura e escalável"

Maria Teresa Azevedo Lima, diretora executiva para Governo da Embratel

Com a tecnologia cada vez mais acessível e próxima das pessoas, a teleconsulta é um exemplo de serviço digital que veio para ficar. “Com a flexibilização da legislação, em função da pandemia, vimos que a teleconsulta realmente funciona e que as pessoas se adaptaram a esse novo ambiente”,disse.

Um dos pontos em que todos concordaram foi a velocidade das transformações. No Datasus, projetos planejados para três anos foram finalizados em menos de um ano, como a integração da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) com os sistemas de todos os estados brasileiros para receber as informações sobre a vacinação contra a Covid-19.

“A plataforma RNDS é um grande repositório de dados de saúde. No processo de vacinação, muitos postos de saúde já ́ cadastram as informações na hora, e o Datasus recebe esses dados automatica- mente”, afirmou Merched Cheheb.

Merched Cheheb de Oliveira, diretor do departamento de informática do Sistema Único De Saúde (Datasus)
Merched Cheheb de Oliveira, diretor do departamento de informática do Sistema Único De Saúde (Datasus) - Divulgação

“Podemos imaginar que no futuro o sistema agendará automaticamente uma consulta, quando os dados mostrarem que a saúde da pessoa está piorando"

Merched Cheheb de Oliveira, diretor do departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus)

No futuro, a rede de dados do SUS irá centralizar todas as interações dos usuários com os sistemas de saúde. “O cidadão e os médicos terão acesso ao histórico de saúde, o que facilitará o atendimento a prevenção de doenças”, afirma Cheheb. “Podemos imaginar que no futuro o sistema agendará automaticamente uma consulta, quando os dados mostrarem que a saúde da pessoa está piorando.”

UTI CONECTADA

No Hospital das Clínicas de São Paulo, o centro da transformação digital é o InovaHC, um hub de inovação aberta que reúne parceiros públicos e privados, a comunidade acadêmica e 20 startups de saúde. Segundo Marco Antonio Bego, com a pandemia, o HC começou a trabalhar de forma mais digital, e as 70 iniciativas que estavam sendo tocadas foram reorganizadas em 20 projetos. “Um dos nossos objetivos é melhorar a jornada do paciente dentro do hospital”, afirmou Bego.

Um desses projetos é a UTI Conectada, que nasceu para apoiar, usando a teleconsultoria, médicos e profissionais de saúde de outras localidades e hospitais que precisavam tratar pacientes de Covid-19 internados em UTIs.

O projeto evoluiu para o monitoramento remoto dos sinais vitais e dados clínicos dos pacientes na UTI. Assim, os médicos do HC podem fazer o acompanhamento e orientar o tratamento sem esta- rem fisicamente no hospital. “Vários equipamentos eletromédicos conectados ao paciente geram dados importantes para a tomada de decisão”, afirmou Ivisen Lourenço. “Permitir aos médicos o acesso a esses dados de fora do hospital foi desafiador, por envolver muita tecnologia.”

Ivisen Teixeira Lourenço, gerente de inovação aberta do Inovahc
Ivisen Teixeira Lourenço, gerente de inovação aberta do Inovahc - Divulgação

"Vários equipamentos eletromédicos conectados ao paciente geram dados importantes para a tomada de decisão"

Ivisen Teixeira Lourenço, gerente de Inovação Aberta do Inovahc

TUDO NA NUVEM

Motor da transformação digital, a computação em nuvem é a base para a modernização da saúde. A RNDS, por exemplo, já nasceu na nuvem. “Reunir uma quantidade imensa de dados de mais de 200 milhões de brasileiros exige uma infraestrutura robusta, flexível, segura e escalável”, diz Maria Teresa. “Essas são as características do cloud, que ainda possibilita a integração das informações e a interoperabilidade."

As inovações na saúde não param por aí.Com a chegada da rede 5G, aplicações remotas passarão por uma grande evolução. “Cirur- giões vão poder auxiliar colegas em tempo real, no momento que as cirurgias estão sendo realizadas”, disse Lourenço.

Mas os médicos estão preparados para essa nova realidade? Segundo Bego, a inovação atrai e é bem recebida quando resolve problemas reais. No Hospital das Clínicas, uma pesquisa com médicos mostrou que 90% acham o digital necessário, mas 70% disseram não se sentirem totalmente capazes, por exemplo, de realizar teleconsultas. “Foi criado então um curso de formação para ensinar o médico como se portar diante da câmera e tratar o paciente de forma remota”, afirmou Bego.

Marco Antonio Bego, diretor de inovação Do Inovahc
Marco Antonio Bego, diretor de inovação Do Inovahc - Divulgação

"Foi criado [no HC] um curso de formação para ensinar o médico como se portar diante da câmera e tratar o paciente de forma remota"

Marco Antonio Bego, diretor de Inovação do Inovah

Para isso, o HC contou com uma parceria feita com o NHS, o sistema britânico de saúde, que conquistou, durante a pandemia, 95% de satisfação de seus usuários com a teleconsulta. A parceria é ainda mais ampla e também está ajudando o HC a criar um plano de saúde digital.

“Hoje falamos muito em tratar a doença, mas com a enorme quantidade de dados que teremos, o propósito deve ser manter o cidadão saudável, fora do hospital, e com uma vida longa e produtiva”, conclui Maria Teresa.