Papel do administrador evoluiu nos últimos anos

Profissional da área deve ser multifacetado e tem um papel mais complexo diante dos desafios do mundo contemporâneo

estúdio folha

Henrique Assale

O curso de administração de empresas é dos mais tradicionais e populares na graduação. Mas o que significa ser um administrador hoje? É o mesmo que significava há 20 ou 30 anos?

Segundo professores da área, são mundos muito diferentes.

“A profissão passou por grandes mudanças nos últimos dez anos. Hoje o papel do administrador é mais complexo, mais desafiador, até porque estamos em um cenário mais incerto do que aquele que tínhamos anteriormente”, avalia Jhonatan Hoff, coordenador dos cursos de graduação da Faculdade Fipecafi.

“O número de variáveis relacionadas ao desempenho e que determinam o sucesso de uma empresa é muito maior hoje. E o administrador tem de gerenciar essas variáveis e todos os recursos, físicos, financeiros, humanos, para que uma organização possa cumprir a sua função.”

O curso de administração de empresas da Fipecafi é ministrado apenas no modelo de ensino a distância e tem quatro anos de duração.

O próprio perfil dos alunos mudou nos últimos anos. Se antigamente muita gente procurava a administração porque queria entrar em uma grande empresa e permanecer ali por décadas, hoje os jovens desejam empreender, abrir um negócio pequeno em que ele seja o chefe.

Jhonatan lembra que, no Brasil, a imensa maioria das empresas são de tamanho médio ou pequeno. “O nosso curso forma gente que atua tanto dentro de uma organização de porte como profissionais que querem montar uma empresa própria. O aluno sai da faculdade sendo capaz de estruturar um negócio, de avaliar a ideia de negócio, se ela vai dar certo ou não, quais serão os recursos necessários para abrir a empresa, quais são os métodos e técnicas do ponto de vista de gestão que ele terá de dominar.”

Marcus Vinícius Warlet, coordenador adjunto do curso de administração de empresas da Unisa, diz que o conhecimento técnico do profissional ainda é importante, mas que atualmente a pessoa tem de ter “competências, habilidades e atitudes que façam com que ela seja capaz de tomar decisões”.

“Não adianta decorar livros se a pessoa não sabe o que fazer com aquele conhecimento. O mercado busca profissionais que saibam explorar o conhecimento. A construção do currículo não é o que a pessoa sabe fazer, mas o que a pessoa gera de resultado com o que ela sabe fazer.”

Assim, Marcus Vinícius realça o fato de que a Unisa tem um corpo docente formado por “professores que se tornaram professores depois de passarem pelo mercado ou por profissionais que ainda estão no mercado”.

“Para que os professores possam levar às salas de aula conceitos atuais e suas aplicabilidades práticas dentro da realidade em que nos encontramos.”