Prefeitura mantém fila para creche zerada pelo 3º ano consecutivo

Rede Municipal de Ensino de São Paulo tem 347,1 mil crianças matriculadas; plano da atual gestão é inaugurar mais 45 unidades para a educação infantil até o fim de 2024

A Prefeitura de São Paulo mantém zerada a fila para vagas em creches na capital desde 2020. Essa situação é possível, pelo terceiro ano consecutivo, em razão da construção de novas unidades, ampliação das já existentes e pela parceria com entidades da sociedade civil que mantêm o atendimento à primeira infância.

Na rede própria, são ao todo 2.593 CEIs (Centro de Educação Infantil), 561 EMEIs (Escolas Municipais de Educação Infantil) e 31 CEMEIs (Centro Municipal de Educação Infantil). O CEI atende crianças de 0 a 3 anos e 11 meses. As EMEIS, de 4 a 5 anos e 11 meses. E os CEMEIs, de 0 a 5 anos e 11 meses.

Atualmente, há mais de 340 mil crianças de 0 a 3 anos matriculadas nos CEIs e mais de 225 mil em EMEIs, de acordo com o último dado divulgado no mês de agosto deste ano, totalizando atendimento a mais de 570 mil crianças.

As matrículas para atendimento nas creches e em todos os ciclos ficam abertas durante o ano todo. O sistema de vagas compatibiliza e prioriza o encaminhamento dos bebês e crianças para as unidades mais próximas dos endereços cadastrados.

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Crianças do CEI Lygia Fagundes Telles participam de atividades interativas com as professoras, além de contar com espaço para recreação - Masao Goto/Estúdio Folha
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Masao Goto/Estúdio Folha
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Masao Goto/Estúdio Folha

A ampliação do atendimento aos bebês e crianças da rede vem acontecendo gradativamente. Somente neste ano, nove unidades de educação infantil foram inauguradas: seis CEIs e três EMEIs, localizadas nas regiões de Butantã, Campo Limpo, Capela do Socorro, Guaianases e São Mateus. São mais de 1.900 novas vagas. O plano da Prefeitura é inaugurar mais 45 unidades escolares destinadas às crianças até o fim de 2024.

Uma das beneficiadas pela vaga imediata no sistema é a fisioterapeuta Louise Vilanova Alier, 37. A filha, Giovanna, de 8 meses, está no CEI Lygia Fagundes Telles, na zona sul de São Paulo, desde os cinco meses de idade. Louise diz que a creche foi fundamental para que ela pudesse trabalhar, enquanto sua filha recebe a assistência necessária em período integral.

"Ela já tem aprendido muita coisa, apesar de bem novinha ainda, mas é nítido o seu desenvolvimento. A creche fica em meio ao verde e tem uma estrutura muito boa", afirma Louise.

CURRÍCULO DA CIDADE

Cientes de que a educação infantil desempenha um papel crucial no desenvolvimento das habilidades cognitivas, sociais e emocionais das crianças, preparando-as para uma vida escolar e futura de sucesso, as unidades educacionais seguem o Currículo da Cidade, desenvolvido pela Secretaria Municipal da Educação (SME).

Por meio desse documento, oferecem situações e constituem propostas que estejam vinculadas às necessidades dos bebês e das crianças, às suas perguntas, aos seus gestos, às suas experiências, realizando articulações e tecendo configurações entre as culturas da vida e as culturas da escola, tudo com foco nesse momento chave na construção da identidade de cada criança e no seu processo de aprendizagem.

A primeira infância estabelece as bases para o futuro desenvolvimento e bem-estar de uma pessoa. Durante os primeiros anos de vida, o cérebro está em constante desenvolvimento e é altamente influenciável pelas experiências e interações que a criança tem com o ambiente.

Rede garante 5 refeições diárias e crédito para uniforme e material escolar

Nas creches da Rede Municipal de Educação, as crianças têm direito a cinco refeições diárias, com cardápio elaborado por nutricionistas, priorizando a oferta de alimentos in natura e minimamente processados, de acordo com as diretrizes nutricionais estabelecidas pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Além das refeições nas unidades, as famílias em situação de vulnerabilidade inscritas no Cadastro Único (CadÚnico)para Programas Sociais e residentes no município de São Paulo podem aderir ao programa Leve Leite.

A entrega da fórmula láctea para menores de um ano é feita todos os meses na própria creche. Para os demais, o leite em pó integral é entregue em casa pelos Correios, a cada quatro meses.

Crianças de todas as idades têm direito também ao material escolar, com créditos disponibilizados às famílias por meio de um aplicativo, cujos valores mudam de acordo com o ciclo de ensino. Varia de R$ 41,26 para o ciclo chamado de Berçário I e II, até R$ 143,94 para o Infantil I e II.

Já para os matriculados nas EMEIs são fornecidos R$ 573,53 em créditos para aquisição de uniforme escolar.

INOVAÇÃO E LIVRO

Iniciativas de professores nas salas de algumas unidades de CEIs são inovadoras e estimulam o aprendizado das crianças por meio de atividades educativas lúdicas.

No CEI e na EMEI do CEU Aricanduva Professora Irene Galvão de Souza, na zona leste, o professor Aciovaldo Marques de Mello, 61, idealizou o projeto Passarinhar, que estimula a criança a observar e a catalogar espécies de pássaros que vivem na área verde do local. Desde 2021, mais de 50 espécies de aves já foram registradas.

"O projeto aproxima e conecta as crianças com o meio ambiente em que elas vivem e promove um aprendizado ativo e divertido. Por meio da observação de aves notamos um aumento na capacidade de atenção, pois estimula os sentidos audição e visão e um cuidado com o meio ambiente do nosso território", diz Mello.

A vivência com as crianças também gerou um livro. No CEI Célia Regina Kuhl (zona norte), a professora Elaine Silva de Lima, 43, escreveu "Vivências no Quintal: Poéticas de Bordo". A ideia surgiu quando, em 2021, ela foi convidada junto com outras professoras do CEI para um treinamento na implementação do Diário de Bordo da Educação Infantil (documento usado para planejamento).

"São registros poetizados sobre as vivências de bebês e crianças, a partir de experiências no decorrer dos anos atuando como professora de educação infantil", afirma. Alguns registros foram compartilhados nas paredes do CEI com as famílias e a equipe.

Elaine explica que o objetivo do livro não é dar informação, mas encantamento. "É um convite poético para olharmos as coisas simples da vida", diz.

*Conteúdo patrocinado produzido pelo Estúdio Folha