Aplicativos, intermodalidade e implementação da malha cicloviária facilitam o uso da bike em São Paulo

Sobre duas rodas

foto: Emiliano Capozoli
Projeto Bike Anjo ensina pessoas a andarem de bicicleta em evento no Largo da Batata

De 2014 para 2015, o número de ciclistas aumentou em 66% na cidade de São Paulo, segundo o Ibope e a CET.

O número impressiona, mas ainda há muita gente com medo de usar a bike como meio de transporte. Era o caso da Lorena Garrido, 27, atriz e advogada que participou do documentário "Ciclos", uma iniciativa do Itaú Unibanco sobre mobilidade em São Paulo e na Cidade do México.

Lorena tomou coragem e procurou o Bike Anjo, uma instituição que ensina iniciantes a pedalar nas ruas. Qualquer pessoa pode solicitar que um ciclista experiente o acompanhe no seu deslocamento diário.

O "anjo" vai traçar rotas seguras e ensinar a sinalização do trânsito e outras regras que garantem a segurança do ciclista (confira as dicas ).

foto: Emiliano Capozoli
Lorena Garrido na ciclovia da avenida Paulista

Uma ideia que surgiu entre amigos há seis anos, o Bike Anjo percebeu que havia muita gente querendo pedalar na cidade.

"Hoje tem muito mais gente andando de bike do que alguns anos atrás. Por isso, é muito importante que exista esse tipo de acompanhamento. Muitos não andam porque sentem medo de começar", explica Fernando Neri, um dos voluntários do Bike Anjo.

"Moro perto do trabalho e sempre quis ir de bike, mas eu mesma colocava empecilhos. Ou achava que a ladeira era muito grande, ou que nunca iria chegar no horário, ou o problema era a bike, que estava abandonada", conta Lorena.

Há várias formas de contornar esses problemas. Apps como Google Maps mostram quais rotas têm menos ladeiras e onde estão as ciclovias. Oficinas na cidade ensinam como consertar bicicletas. E até quem não tem uma "magrela" pode usar sistemas de compartilhamento, como o Bike Sampa, para se deslocar.

A intermodalidade também pode ajudar os iniciantes (e os "experts"). Hoje, a maioria da população utiliza o transporte público para se locomover. Todos os dias, 8 milhões de pessoas andam de ônibus, 4,5 milhões, de metrô e 2,8 milhões usam a CPTM. As informações são da SPTrans, do Metrô, da ViaQuatro e da CPTM.

O ciclista pode, por exemplo, deixar a bike em um dos bicicletários dos terminais de ônibus ou do próprio metrô. Aliás, no último vagão, é permitida a entrada da bici a partir das 20h30, de segunda a sexta-feira.

A extensão da malha cicloviária e os instrumentos de apoio mudaram a cidade. Segundo Eduardo Magrão, outro entrevistado do média-metragem "Ciclos" e representante da zona leste no Conselho Municipal de Trânsito e Transporte da cidade, "as pessoas começaram a ser mais gentis na rua. Eu sempre olho nos olhos dos condutores, faço um positivo e, quando dá, eu abro para eles passarem. Essa comunicação positiva facilita bastante e harmoniza a relação", explica.

foto: Emiliano Capozoli
Eduardo Magrão, um dos personagens do filme Ciclos
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