MINAS É TURISMO VERDE

Belezas naturais únicas e uma política pública focada no desenvolvimento sustentável fazem do estado um verdadeiro paraíso para o turismo de natureza

Lapinha da serra,  na Serra do Cipó

Lapinha da Serra, na Serra do Cipó Divulgação

Viajar em busca de experiências autênticas, com conexão com a natureza e de forma sustentável é a grande tendência do turismo mundial. É o chamado turismo verde, que tem aqui no Brasil um terreno fértil para crescer ainda mais: o estado de Minas Gerais.

Com parques naturais, trilhas, lagos, cachoeiras, grutas, cavernas, estâncias hidrominerais, esse cenário perfeito que já é sinônimo de viagens na natureza vem sendo turbinado com políticas públicas voltadas para o desenvolvimento sustentável e a conservação ambiental.

Para a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, proteger o meio ambiente e o patrimônio histórico para que as pessoas (do estado e de fora) vivam em harmonia é uma característica de Minas Gerais. Nesse contexto, a política pública Plano Turismo Verde está sendo implementada com o objetivo de fornecer subsídios para que o cuidado com a natureza seja a grande tônica.

Oliveira lembra que o estado tem a única cordilheira do Brasil, que é a do Espinhaço, reconhecida pela Unesco como Reserva da Biosfera, com seus quase 1.500 quilômetros de montanhas que seguem ao norte, atravessando também a Bahia. "São montanhas muito vigorosas, com milhares de cachoeiras e paisagens inesquecíveis que percorrem vários biomas, como a Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga, criando um ambiente propício para o ecoturismo e turismo de aventura e também para o turismo verde."

Onde a natureza é incomparável

A natureza foi realmente generosa com Minas Gerais, o que faz dela um verdadeiro paraíso para os ecoturistas. Tudo isso tendo como diferencial a cultura, a hospitalidade e a cozinha mineira, que garante um tempero a mais para essas vivências.

De norte a sul do estado não faltam formações rochosas únicas, montanhas a perder de vista, cavernas e muita água, o que dá origem a estâncias hidrominerais, rios caudalosos ou a cachoeiras que despencam de alturas inacreditáveis. Nada mais natural, portanto, que o estado tenha 8 Parques Nacionais, 19 parques estaduais e 4 monumentos naturais abertos à visitação.

A apenas 100 km de Belo Horizonte, o Parque Nacional da Serra do Cipó é um dos mais visitados. Apelidado de "Jardim do Brasil" pelo paisagista Burle Marx por conta da diversidade da flora e fauna, o parque guarda alguns recordes. É lá que está a Cachoeira do Tabuleiro, com 273 metros de altura, a mais alta de Minas e a terceira mais alta do Brasil. Para chegar ao seu poço, basta encarar um trekking de 3,6 quilômetros. A Serra do Cipó é também um paraíso para escalada e ciclismo.

Para os mais radicais, há aventuras como a Travessia Serra do Cipó – Alto Palácio X Serra dos Alves, que dura três dias e atravessa regiões remotas desse parque que faz parte da Cordilheira do Espinhaço.

Já na região sul do estado, nos arredores da pequena Carrancas está uma das maiores concentrações de quedas d’água do estado. Não à toa, a cidade de 4.000 habitantes é conhecida como a "terra das cachoeiras". De tão numerosas, elas são apresentadas em conjuntos de quedas d’águas e poços conhecidos como complexos, acessíveis por trilhas, de carro ou até mesmo caminhando a partir do centro da cidade. Os mais famosos são os complexos da Zilda, da Fumaça, da Toca, da Ponte, das Onças, da Vargem Grande, do Tira Prosa, do Grão Mogol e da Serra do Moleque.

Ainda no quesito água, o Lago de Furnas, conhecido como o "Mar de Minas", uma das principais atrações de Capitólio, é outro lugar que impressiona pelo volume de suas águas e seus 1.440 km² de extensão. Um passeio pelo Lago de Furnas, com banhos em diversas cachoeiras e o visual do alto do Mirante dos Cânions, já valeria e muito a visita, mas há ainda o Parque Nacional da Serra da Canastra todinho ali ao lado para ser explorado, com direito a visita às propriedades rurais que produzem os queijos artesanais mais famosos do Brasil.

Outro Parque Nacional incrível e ainda pouco visitado para seu potencial é o Cavernas do Peruaçu, no norte do estado. Com grutas e cavernas de tirar o fôlego, o parque abriga a maior estalactite do mundo, conhecida como a Perna da Bailarina, além de pinturas rupestres datadas do período pré-histórico.

Minas tem também a maior concentração de águas carbogasosas do planeta. São 12 fontes com propriedades químicas variadas que brotam no Parque das Águas, em Caxambu. A cidade faz parte do chamado Circuito das Águas, um conjunto de 14 municípios reconhecidos internacionalmente por suas fontes medicinais, incluindo São Lourenço e Lambari. Outras estâncias hidrominerais famosas no estado são Poços de Caldas e Araxá.

Dos parques estaduais, um grande destaque é o de Ibitipoca, nos municípios de Lima Duarte e Santa Rita do Ibitipoca, que ganhou fama internacional depois de Gisele Bündchen ter se apaixonado pela região.

Um destino sustentável de referência

Segundo uma pesquisa recente da Booking.com, 74% dos viajantes acreditam que as pessoas devam escolher viagens mais sustentáveis para preservar o planeta para as gerações futuras. Nessa linha, Minas Gerais está comprometida em posicionar-se como um destino de turismo sustentável de referência, reafirmando a determinação em equilibrar o crescimento econômico com a proteção do meio ambiente, garantindo que as gerações futuras possam desfrutar das maravilhas naturais que o estado tem a oferecer.

Nesse contexto, o Plano Turismo Verde: Plano de Desenvolvimento Integrado do Turismo Sustentável, sob a liderança da Secretaria de Cultura e Turismo, está sendo elaborado como um documento orientador que possibilitará criar empregos e renda de forma sustentável, planejando políticas públicas de maneira ordenada e em bases sustentáveis em curto, médio e longo prazos. A ideia é atender a sociedade e os visitantes do território.

O Plano Turismo Verde está sendo construído de forma participativa, junto com as Instâncias de Governança Regionais, os municípios, a sociedade e toda a cadeia produtiva do turismo mineiro. O estado está na etapa de diagnóstico, analisando cuidadosamente todos os territórios, a partir de oficinas regionais presenciais com escuta ativa de todos os participantes.

O Turismo Verde não é apenas uma oportunidade de descobrir a beleza natural de Minas Gerais, mas sobretudo de contribuir para sua conservação. Isso se dá através de diversas práticas sustentáveis de gestão, como a promoção do turismo responsável, gestão de resíduos e engajamento das comunidades locais.

Do plano à prática

De norte a sul do Estado, exemplos de Turismo Verde já têm sido colocados em prática por meio de ações regionais, mesmo antes desse documento orientador sair do papel. A própria criação do destino "Cordilheira do Espinhaço", por exemplo, faz parte dessas iniciativas, sendo, nesse caso específico, um projeto promovido pelo Sebrae Minas e pelo Governo do Estado, por meio da Secult. Entre as ações desenvolvidas estão o mapeamento e a oferta de novos produtos e serviços turísticos voltados para o ecoturismo, turismo de aventura, cicloturismo, observação de aves, turismo cultural, turismo náutico e turismo de base comunitária com o objetivo de potencializar ainda mais os atrativos locais.

"Além disso, o projeto também se atenta às questões relacionadas à sustentabilidade ambiental, econômica e social. Isso inclui a preservação dos recursos naturais do destino, o fortalecimento da governança local, a capacitação gerencial e o estímulo à criação de novos negócios ligados à cadeia produtiva associada ao turismo, contribuindo para o aumento do fluxo turístico na região e a geração de emprego e renda para as comunidades locais", diz Marcelo de Souza e Silva, presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas.

Uma outra iniciativa de Turismo Verde bem ousada está acontecendo em Caxambu. O município do Circuito das Águas está iniciando o processo de criação de um Geoparque Mundial Unesco, que será o primeiro geoparque líquido do mundo, uma vez que no Brasil água mineral é considerada como minério pelos registros de lavra do DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral. "A ideia é transformar o Parque de Caxambu, que é a maior diversidade em águas minerais carbogasosas do planeta, em Geoparque Unesco, como forma de construir valor ao território e incentivar as boas práticas ambientais", diz Filipe Condé, secretário de Turismo e Cultura do Município de Caxambu e vice-presidente do Conselho Estadual de Turismo do Estado de Minas Gerais.

Além dessa novidade, Condé enumera outros vários exemplos de ações estratégicas já implementadas em Caxambu, como a criação de unidades de conservação municipais como a APA das Águas Minerais e o monumento natural municipal do Morro do Caxambu, ao sopé do Parque das Águas. A cidade também realizou um processo que é pioneiro no Brasil.

Em 2018, propôs o Registro de Bem Imaterial do Uso e Costumes de Coletar Águas Minerais no Parque das Águas de Caxambu como uma salvaguarda cultural e garantia de acesso às fontes devido a seu uso cultural. A iniciativa, que se seguiu também na vizinha Cambuquira, foi reconhecida pelo estado de Minas Gerais.

"É uma forma de usar a cultura como elemento de proteção e salvaguarda das águas minerais adequando essas ações de turismo verde e sustentável", resume Condé.

A região de Ibitipoca também viu nascer recentemente algumas unidades de conservação. Foi o caso do Parque Estadual Serra Negra da Mantiqueira, de 2018, criado pelo IEF (Instituto de Florestas) com o apoio da Instância de Governança Regional local.

"Nós fomentamos o projeto, pesquisamos e articulamos junto a prefeitos, secretarias de estado, voluntários e pesquisadores. Consideramos uma grande vitória da articulação a nível regional para o desenvolvimento do turismo sustentável, verde, com o mínimo impacto, uma vez que estamos falando de unidades de conservação", diz Marcio Lucinda, gestor técnico da IGR Serras de Ibitipoca.

Outro programa dessa IGR é o de identificar e formatar novos roteiros turísticos na região. Um bom exemplo é a Volta das Transições, hoje um dos principais roteiros de cicloturismo do Brasil, totalizando 390 quilômetros, a maioria por estradas de terra que passam por pequenos vilarejos entre as montanhas de Zona da Mata, Vertentes e Sul de Minas. A IGR Serras de Ibitipoca também apoiou tecnicamente a Transmantiqueira, outra trilha de longo curso e trabalha agora na formatação de outros dois roteiros: a Volta do Rio Grande e a Volta da Serra Negra da Mantiqueira.

"Nós estamos transformando a região toda em produto turístico pronto para comercialização tanto para o turismo guiado como também para o autoguiado, com muito foco no cicloturismo, nas caminhadas de longo curso, no montanhismo, no ecoturismo de balneabilidade e no histórico", completa Marcio Lucinda. A ideia é desenvolver o turismo com o menor impacto possível.

*Conteúdo patrocinado produzido pelo Estúdio Folha