Cliente poderá compartilhar dados financeiros para obter benefícios

Com o Open Banking, as pessoas são donas dos seus próprios dados e, com isso, decidirão se querem compartilhar essas informações financeiras para conseguir serviços e produtos mais vantajosos e variados em qualquer instituição participante

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Na hora de comprar um imóvel e contratar um financiamento imobiliário, o caminho percorrido hoje no Brasil não é dos mais fáceis: o cliente pode aceitar as taxas oferecidas pelo banco onde tem conta ou começar uma intensa pesquisa em outras instituições à procura de ofertas mais vantajosas. Além disso, ainda enfrenta outra maratona: a da burocracia. Precisa comprovar renda, apresentar os últimos holerites, declaração de Imposto de Renda...

Em vários outros países, buscar um financiamento para a casa própria ou a expansão dos negócios é uma missão bem mais suave do que a enfrentada por qualquer brasileiro. As exigências burocráticas e a peregrinação por diferentes instituições financeiras deram lugar nos últimos anos a um modelo seguro e mais rápido que abre ao cidadão e às empresas um amplo leque de propostas bem mais afinadas ao seu perfil, às suas condições e às suas perspectivas. O segredo dessa transformação é o Open Banking - em bom português, “Banco Aberto”.

No Open Banking, os dados bancários do correntista já não estarão exclusivamente à disposição do banco onde tem conta. Essas informações passam a pertencer ao próprio cliente, que decidirá se as compartilhará com outras instituições financeiras - bancos comerciais, múltiplos e de investimentos, fintechs, seguradoras, cooperativas de crédito etc.

Por trás dessa revolução financeira, há também uma revolução tecnológica. A Mastercard, que tem se consolidado como uma empresa de tecnologia que vai muito além dos cartões, atuará em várias frentes para garantir a segurança dos clientes e de empresas quando o Open Banking estiver em operação.

“O Open Banking propõe uma abordagem totalmente nova de comunicação entre as instituições financeiras para facilitar a mobilidade dos seus clientes, que passam a ter muito mais autonomia na escolha dos produtos”, afirma João Pedro Paro Neto, presidente da Mastercard Brasil e Cone Sul.

“O Open Banking propõe uma abordagem totalmente nova no relacionamento entre as instituições financeiras para facilitar a oferta de produtos e serviços a seus clientes, que passam a ter muito mais autonomia na escolha dos produtos.”

João Pedro Paro Neto, presidente da Mastercard Brasil e Cone Sul

“A integração que enxergamos no horizonte é fruto de longo amadurecimento do setor financeiro e trará um enorme ganho de sofisticação e eficiência ao sistema bancário, abrindo um novo leque de possibilidades aos atores envolvidos”, completou.

A Mastercard tem adquirido várias empresas de tecnologia ao longo dos anos que irão, por exemplo, criar ferramentas de segurança para os dados do cliente do Open Banking e de prevenção de fraudes e lavagem de dinheiro; gerenciar os consentimentos dos usuários; administrar as diferentes redes de múltiplos participantes; gerar experiência em solução de conflitos e monetizar informações sobre transferências de dinheiro e pagamentos. Trata-se de um universo de demandas tecnológicas que a cada dia terá de ser aperfeiçoado.

“Todos esses serviços serão potencializados no momento de maior competitividade no setor financeiro. Será uma grande forma de inovação”, afirma Ana Paula Lapa, vice-presidente de Produtos e Inovação da Mastercard Brasil e Cone Sul.

SERVIÇOS CUSTOMIZADOS

No Brasil, o Open Banking deverá estar disponível a partir de novembro de 2020, quando inicia a primeira fase da regulamentação publicada pelo Banco Central. Pessoas físicas e empresas passarão a ter acesso pelo celular ou computador a um universo de produtos e serviços financeiros customizados, ou seja, construídos especialmente com base em seus perfis. Eles serão oferecidos pelo banco onde tem sua conta e também por outras instituições, sem precisar se tornar correntista delas. A escolha sobre qual oferta atende melhor a suas condições e expectativas será exclusivamente do cliente.

Ao fazer um simples pagamento, por exemplo, o Open Banking pode garantir ao cliente uma opção sem tarifa e mais rápida vinda de outro agente financeiro. Ao tomar um empréstimo ou renegociar suas dívidas, propostas mais vantajosas devem surgir. Em cada operação, o cliente terá o poder de escolher.

Para as instituições financeiras, o desafio será enorme. Em cada transação, elas terão de competir pelo seu próprio correntista e pelos clientes de suas concorrentes.

A tecnologia da Mastercard poderá ajudar as instituições brasileiras a se beneficiar de um ambiente de maior competição. Um dos principais desafios será construir plataformas de API, interface de programação de aplicativos, em tradução do inglês.

Para o usuário, esse mecanismo continuará invisível, ainda que já esteja presente em uma série de recursos que ele acessa na internet, como quando entra no site de um hotel e lá está destacada, para sua comodidade, a localização do prédio pelo Google Maps. Os sistemas de pagamento online também utilizam a API. Para as instituições financeiras integrantes do Open Banking - todos os bancos que operam no Brasil estão obrigados a ingressar - será indispensável.

API é uma linguagem de programação que reúne rotinas e padrões para acesso a aplicativos ou software, permitindo a troca de informação entre dois ou mais sistemas. As APIs do Open Banking no Brasil serão padronizadas para que possam permitir a outros agentes financeiros acessar o histórico bancário do cliente que aceitou compartilhar seus dados e o tipo de transação que precisa ser executada. A partir daí, cada um desses agentes poderá preparar um produto financeiro customizado e fazê-lo chegar ao potencial cliente.

Parece complicado. Mas esse sistema já está operação na Europa, nos Estados Unidos, na Austrália, na Índia e em outras partes do globo. No Reino Unido, onde funciona desde 2018, mais de 2 milhões de correntistas se valem do Open Banking local que, segundo a consultoria Pricewaterhousecoopers (PWC), tem potencial de gerar 7,2 bilhões de libras esterlinas (R$ 53 bilhões) em receitas para o setor de varejo e para pequenas e médias empresas até 2022.

Para o Banco Central, a iniciativa permitirá a inclusão de pessoas ainda hoje à margem do sistema financeiro, integrará novos agentes ao setor, reduzirá os custos das operações e beneficiará empresas e cidadãos. A premissa desse processo está em quatro letras “d”: democratização, desburocratização, desconcentração e desmonetização. A relação entre clientes e instituições passará a se mover pela lógica do “ganha-ganha”, a inadimplência certamente cairá, e o uso de dinheiro vivo despencará.