Gestão

Economia global muda e exige novos modelos

Após revoluções na forma de produção, empresas e investidores perceberam que era necessário aprimorar a administração

Governança Corporativa

A economia e a forma de fazer negócios têm mudado na história da humanidade desde que os primeiros homens iniciaram os processos de trocas. Se por muito tempo o foco estava no aprimoramento das formas de produção (as revoluções Industriais, no fim do século 18, e a Tecnológica, no 20, transformaram o modo de fazer), as últimas décadas do século passado mostraram que a forma de gerir os negócios e a transparência na administração têm também um papel muito relevante.

Afinal, principalmente nos países desenvolvidos, as empresas familiares, de um dono só, cujas decisões poderiam ser autocráticas, perderam espaço para grandes conglomerados, surgidos de fusões e aquisições. As empresas abriram o capital e passaram a ter milhares de donos (os detentores de ações). Com isso, a autocracia teve de dar lugar a conselhos, que precisavam prestar contas sobre suas decisões.

Ao mesmo tempo, uma série de escândalos financeiros e fraudes contábeis mostraram que as gestões das empresas não podiam ser caixas-pretas. Todos os chamados stakeholders (comunidade, governos, acionistas, fornecedores, empregados etc.) precisavam ter acesso a dados confiáveis das empresas. Ficou ainda mais evidente que administradores necessitam prestar contas e, em caso de má gestão, serem punidos. Foi instituído, então, o que passou a ser conhecido como governança corporativa.

Há uma série de definições para a expressão. Mas, grosso modo, a empresa que emprega a governança corporativa adota práticas de gestão e monitoramento que garantem a transparência de dados e decisões, a equidade na forma de tratar todos os acionistas/cotistas, a prestação de contas e a responsabilidade corporativa (veja animação acima).

No Brasil, que ainda tem tradição de empresas familiares e fechadas, o conceito ganhou força no fim do século passado com a maior internacionalização da economia.

Empresas que vieram para o Brasil trouxeram modelos adotados por suas matrizes. Ao mesmo tempo, novas legislações e regulamentações locais obrigaram as companhias a deixarem mais claros seus processos administrativos.

Mecanismos de controle ganharam relevância. Acionistas e também consumidores passaram a exigir prestações de contas, transparência.

A relação com todos os stakeholders precisou ser mais próxima e mais autêntica.

"A governança corporativa nasceu de uma necessidade. Necessidade de informações e também necessidade de retomar a confiança nas empresas", afirma Roberta Prado, professora da Fundação Getúlio Vargas.

Além disso, as boas práticas de governança corporativa trazem vantagens ao próprio negócio, uma vez que, em muitos casos, são condicionantes para a abertura de novos mercados e para a obtenção de financiamentos com melhores condições.

Especialistas afirmam que a governança não pode ser um modelo estanque, que, uma vez implantado, fica perene. Sempre são necessários ajustes para adequação às mudanças do mercado.

No início do ano passado, por exemplo, em meio a uma crise mundial no segmento de petróleo e gás, a Petrobras aprovou mudanças em sua estrutura de governança corporativa para aprimorar o processo decisório e implantar as medidas necessárias para a redução dos custos e de seu endividamento. Também foram adotadas medidas para coibir fraudes.

O novo modelo de governança e gestão foi aprovado pelo Conselho de Administração. Incluiu fusão de áreas, centralização de atividades, novos critérios para a indicação e nomeação de diretores e gerentes-executivos e responsabilização formal dos gestores por resultados e decisões.

O processo decisório foi alterado para que licitações e contratação de serviços de valor expressivo não ficassem na mão de apenas uma área. As decisões deixaram de ser individuais e passaram para comitês, o que permite o contraditório e garante a lisura do processo.

Com as mudanças, a empresa busca uma redução de 43% nos cerca de 5.300 cargos gerenciais em áreas não operacionais. A estimativa é cortar os custos em R$ 1,8 bilhão por ano.

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